domingo, 8 de agosto de 2010

Guerreiro

É estranho o que acontece em nossas vidas às vezes...
Esse sábado pude ir num evento chamado TED, feito lá na USP. Lá estavam eles, falando de se arriscar, de olhar para as coisas de um modo diferente, de fazer as coisas com amor. Falaram sobre a maravilha de um mundo diverso. Falaram sobre vida.
E lá estava eu com vc. Mais estranho era estar com vc. Não, não era um estranho ruim, era bom, era mto bom.
Mas vendo aquele evento, me era inevitável pensar em nossa história. Uma história de olhar para as coisas de um modo diferente, uma história de se arriscar e uma história de amor, de fazer com amor.
Não pensava que um dia poderia estar vendo um evento daqueles ao seu lado e daquela forma. Não erámos mais dois amigos, éramos dois amantes. Estávamos ali, um do lado do outro, apaixonados e abobados. Nos deleitávamos com aquele evento e acima de tudo, adorávamos a companhia.

No início, vc era apenas um amigo. Não... no início nem um amigo era. Era um estranho. Um estranho que pude conhecer e dar uma carona. Íamos para o mesmo lugar, para a mesma festa. E logo que nos conhecemos vc já estava na porta de minha casa.
Nesse dia mal conversamos. Um leve papo em casa, no caminho, na entrada e lá dentro. Não foram mtas palavras, foram poucas.
Depois nem vieste embora comigo. Ficara naquele espaço. Seus olhos se voltavam para outra pessoa. Acho que nossos olhos nem puderam se encontrar.
Foram mtos os devios que tomamos. Mas um dia saímos juntos. Erámos só eu e vc. Duas pessoas sentadas num café. Conversávamos sobre mtas coisas. Como era bom falar contigo. Parecíamos ambos à vontade, mas algo me inquietava.
Seu olhar era em demasia para mim. Encarar-te não era algo fácil. Vc seguia fundo demais e eu tentava te parar de alguma maneira. Mas não podia, uma marca sua já estaria ali.
A partir de então quis te conhecer melhor. Sua companhia era tão gostosa. Pq não estar perto de alguém assim? Vc parecia precisar de um amigo e eu buscava um novo. Não sei como se sucedeu, não sei bem o que aconteceu. Mas amigos nos tornamos. Até aquele dia. Aquele dia eu te trouxe para dentro. E aqui ficamos conversando e nos conhecendo melhor. Vc não quis ir embora, mas eu te expulsei.
E como um guerreiro vc lutou. Não importava o que fosse acontecer depois. Vc queria estar ao meu lado.
Eu deixei, ainda gostava mto da sua companhia. Vc sabia da história e conhecia os riscos. Teria que lutar com outro.
E como lutou. Manteve-se firme, persistiu até o último momento em que eu disse chega. Não poderia mais continuar, já não sabia mais o que fazer e como lidar com aquilo. Te quis longe.
Mas vc não foi, não iria, não queria. E aqui continuou.
Até que meu olhar começou a mudar. Comecei a te ver de outra forma e a me interessar. Vc estava sempre ali. Eu não sabia pq, mas vc estava. Não sabia pq, mas estava gostando daquilo.
E eu coloquei a decisão em suas mãos. Vc quem teria que optar por um destino. Já estava não sabendo demais para escolher. E além de tudo, confiava em vc, saberia para onde seguir.
Vc não perdeu tempo e me quis junto a ti. Se arriscou, se jogou.
Eu não quis me jogar. Como poderia me jogar daquela forma? Não, não podia ainda. Mas vc me olhou, apenas olhou. Foi como se pudesse me encontrar aonde fosse. Não tive escapatória. Aquele olhar me laçou para junto a ti.
E ficamos na cama apenas a nos olhar. E passamos o tempo apenas a nos olhar. E relacionamos apenas a nos olhar.
Parece pouco, parece mto pouco. Mas foi td para nós. Foi td o que mudou. Conforme olhávamos havia mais coisas para se ver. Conforme víamos desejávamos estar. E conforme estávamos, crescíamos.
E aquilo foi crescendo e tudo foi crescendo. Tomou formar, corpo, conteúdo.

E no sábado estávamos ali. Td aquilo já tinha crescido, td aquilo já estava mto gde. E por algum motivo, todas aquelas palestras sobre ver, sobre se relacionar. Me fizeram olhar para isso, para o tamanho disso. E meu Deus, como está gde, não sabia que estava tão gde.
Agora, paro eu para olhar td isso. Ainda não consigo ver td. E é estranho pensar. Pensar em td o que passou e o que aconteceu. É estranho, é bonito, é poético.

Mas eu tenho medo, Gurreiro. Eu estou com medo. Está td mto gde, eu não imaginava este tamanho como não imaginei percorrer td isso com vc. Eu tento reter, mas já é tarde demais. Isso já está mto maior do que eu.
E eu olho para o tamanho disso nesse momento e me sinto como uma criança assustada querendo sua mãe para protegê-la. Choro encolhido num canto sem saber como me aproximar, sem saber se isto vai me devorar.

E agora, guerreiro? E agora?

Um comentário:

  1. Ahh, Aryel
    Adoro as coisas que você escreve!

    E agora, Leão de Deus?

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